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Louça Morena é beleza, tradição e ancestralidade produzida em Itabaianinha

No Povoado Poxica, mulheres artesãs de várias gerações fazem surgir objetos cerâmicos de rara beleza, frutos de uma arte secular

Publicação: 19/01/2024

Objetos têm pintura com tinta natural que remete a raízes indígenas

Transformar barro em Louça Morena vai além de simplesmente produzir artesanato. O barro encontrado somente no povoado de Poxica, em Itabaianinha, no sul sergipano, é amaciado, modelado, seco, lixado e queimado, para, depois. ganhar pintura com tinta natural que remete a raízes indígenas. Desse modo, evoca beleza e ancestralidade, uma arte datada do século XVIII e repassada de geração a geração por mulheres daquele município.

Das mãos femininas e delicadas de mães, filhas, avós e netas, surgem peças únicas, como caqueiros, pratos, alguidares, travessas, panelas, xícaras, bules, sopeiras, flores, moringas, entre outras. São objetos cujo tom castanho, meio caramelizado, encantaram a escritora Cecilia Meireles, que os batizou de Louça Morena. O nome vindo da poetiza ganharam fama, inclusive, projetando os objetos cerâmicos para o mundo.

O Povoado Poxica fica distante 7 quilômetros da sede do município de Itabaianinha, que, por sua vez, está localizado a 120 quilômetros de Aracaju, capital de Sergipe. A cidade é conhecida pelas quase 100 olarias e cerâmicas que tomam conta da paisagem e que são voltadas à construção civil. Mas é a Louça Morena que desponta como referência no município pela cultura desse artesanato tão cheio de história.

 

Produção doméstica e manual

A produção totalmente manual da Louça Morena é doméstica, feita nos fundos das casas. Infelizmente, o número de ceramistas desse tipo de cerâmica tem diminuído com o tempo em Itabaianinha. Das 60 que existiam há algumas décadas, hoje, apenas 15 detêm os conhecimentos e dominam a técnica em todas as etapas produtivas.

Pelo valor inestimável da obra e reconhecimento, as ceramistas já expuseram em mostras nacionais e internacionais. A venda da Louça Morena foi impulsionada, principalmente, para o mercado da Bahia, já que, além de ser bonita, é resistente e pode ser utilizada em restaurantes nas apresentações de pratos regionais. Desse modo, transformou-se na principal atividade econômica do povoado sergipano.