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Renda irlandesa: saberes e fazeres da tradição de Divina Pastora

Resgatada pelas rendeiras daquele município desde o período colonial, arte cheia de detalhes revela beleza e sofisticação

Publicação: 19/01/2024

Artesã une cultura e tradição ao produzir a renda irlandesa

Localizado a 41 quilômetros da capital, Aracaju, o município de Divina Pastora, situado no Leste sergipano, é marcado por um talento em particular: o bordado. Trata-se da renda irlandesa, que representa a identidade do povo divina-pastorense no artesanato. Aliás, a cidade se destaca no cenário turístico nacional pela produção dessa renda tão cheia de delicadeza e requinte. Inclusive, é uma confecção artesanal reconhecida, em 2008, pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Com base em tradições seculares da Europa do século XVII, os saberes e fazeres tradicionais resgatados pelas rendeiras divina-pastorenses desde o período colonial resultam em minuciosos detalhes. Eles combinam uma multiplicidade de pontos executados sob relevo em desenhos feitos com uma agulha, tendo como suporte papel-manteiga, papel-madeira e lacê, produto industrializado que se apresenta sob várias formas, a exemplo do cordão. Assim, as peças delicadas nascidas dessa mescla revelam beleza e sofisticação.

Peças de vestuário encantam mulheres de todas as idades

Para dar oportunidade às artesãs de incluírem as peças na cadeia produtiva desse artesanato, há 23 anos, foi criada a Associação para o Desenvolvimento de Renda Irlandesa de Divina Pastora (Asderen). Com sede própria, a entidade possui, atualmente, 60 associadas com idades entre 14 e 80 anos. É lá onde as rendeiras se reúnem para produzir peças sob encomenda: de artigos para o vestuário, como, por exemplo, blusas e vestidos, até toalhas de mesas, jogos americanos, colares, dentre outros.

Vale destacar que fazer renda irlandesa não se limita simplesmente a um trabalho manual. É um ofício que proporciona uma viagem ao imaginário feminino. Em resumo, isso significa que, além da distração e da reflexão, as rendeiras também compartilham histórias, alegrias, angústias. É uma forma peculiar que permite uma imersão nelas mesmas.

 

Transmissão dos saberes

É fato: desde cedo, as meninas de Divina Pastora aprendem a arte da renda irlandesa. Isso ocorre por meio das mulheres da família que, diariamente, convivem com tal ofício. E o fazem tanto para gerar renda com a produção de peças, como para preservar os saberes, perpetuando a renda irlandesa como trabalho e arte. Bolsas, toalhas e roupas são exemplos das peças produzidas pelas mãos hábeis das rendeiras, que, com destreza, transformam cordões e linhas em obras de arte.

 

Do significado ao aprender

Mescla de concentração e talento gera lindas peças

Em março do ano passado, a Asdrin promoveu a primeira oficina de renda irlandesa. A inscrição gratuita foi voltada a jovens ou qualquer pessoa da cidade que tivesse interesse em aprender a bordar a renda irlandesa. O conteúdo incluiu desde a parte histórica dessa arte até os módulos da confecção, para que o aprendiz – homem ou mulher – entenda e valorize a renda irlandesa.

 

*Fotos: Caio Rodrigues/Setur*