Categorias: Notícias

Turismo, religiosidade e imersão cultural constituem roteiros em São Cristóvão

O turismo religioso se apresenta como um dos atrativos que mais vem crescendo nos últimos anos no Brasil e no […]

Publicação: 03/02/2023

O turismo religioso se apresenta como um dos atrativos que mais vem crescendo nos últimos anos no Brasil e no mundo. É apreciado não somente por católicos, embora sejam maioria, mas, também, por aqueles que valorizam cultura e história. Em Sergipe, bem próximo à capital, Aracaju, a apenas 18 km, São Cristóvão, a quarta cidade mais antiga do País, fundada em 1590, e a primeira capital de Sergipe, proporciona ao visitante a experiência de contemplar dois produtos turísticos estruturados e fascinantes: o “Caminho da Fé” e a “Rota dos Museus”.

De início, é importante ressaltar que caminhar pelas ruas de pedra da Cidade Mãe de Sergipe, como também é reconhecida, é uma volta ao passado. Basta observar o conjunto arquitetônico colonial composto por igrejas seculares e museus com valiosos acervos que compõem o patrimônio histórico, artístico e cultural da cidade. Além de impressionarem pela beleza e referência histórica, tais atrativos possibilitam grandes emoções e também trazem benefícios para a cidade. Afinal, os visitantes acabam consumindo produtos e serviços, movimentando, assim, a economia local.

Deve-se levar em conta que o povo brasileiro é plural, composto por pessoas com diferentes crenças religiosas (cristãs, que abrangem católicas, protestantes, evangélicas e pentecostais, além de orientais e afro-brasileiras) que convivem diariamente em todos os espaços da sociedade. Inclusive, há as pessoas que não possuem crenças religiosas, como ateus e agnósticos.

Nesse contexto, atrelado ao roteiro “Caminho da Fé”, que contempla visitação a sete igrejas, a “Rota dos Museus” se cruza com o itinerário religioso, oportunizando uma ‘viagem’ pela História de Sergipe. Desse modo, além de atrair visitantes cuja fé católica, principalmente, influencia o turismo religioso, ou simplesmente curiosos, desperta, também, o interesse de pesquisadores, a exemplo de historiadores. Independentemente da fé professada – ou não –, a dica é aproveitar cada detalhe desse passeio que é uma imersão de puro conhecimento.

Igreja do Rosário dos Homens Pretos 

Construída pelos jesuítas no século XVIII e tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), essa igreja possui arquitetura do estilo barroco, além de traços marcantes do rococó. Tanto em sua fachada como no interior dela, há elementos de matriz africana, a exemplo de imagens que remetem à religião, e no jardim lateral do templo, a cruz original da edificação.

Curiosidade: naquela época, existia uma relação histórica de separatismo entre homens pretos e pardos quanto ao templo religioso específico que cada raça podia frequentar. Assim, a construção dessa igreja foi para que os homens pretos pudessem frequentá-la. Para cultuarem a crença religiosa deles no templo, nos altares laterais da igreja, os pretos escondiam instrumentos musicais utilizados nas celebrações, a exemplo de atabaques e chocalhos.

Igreja São Francisco

Localizada na Praça São Francisco, reconhecida como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), está a igreja que leva o mesmo nome da praça. A arquitetura dessa igreja é do estilo rococó. O altar, por sua vez, é rico em detalhes com desenhos em forma de conchas, flores, frutos e laços banhados a ouro.

Anexo à igreja, há o Convento São Francisco, que integra a “Rota dos Museus”. Construído pelos frades franciscanos, em 1657, lá, é possível se deparar com a porta de jacarandá original dessa edificação secular, além de utensílios da época, como cadeiras. Na atualidade, o Convento é utilizado para retiros espirituais e encontros da igreja católica, tendo em sua estrutura refeitório, auditório e quartos.

Museu de Arte Sacra

Este é o primeiro museu de arte sacra de Sergipe, que já foi a primeira biblioteca do estado, em 1851, e também serviu para o aquartelamento para as tropas de Canudos, em 1897. O Museu de Arte Sacra ocupa a ala da Ordem Terceira de São Francisco e também é parte integrante do Convento São Francisco. Em 2022, realizou sua primeira exposição acessível, intitulada Museu do Tato, possibilitando ao visitante ‘enxergar’ a arte sacra com as mãos. Entre as esculturas do seu acervo, a ‘Fuga para o Egito’, do século XIX, arte rara, pois na época era difícil encontrar escultura talhada em madeira.

De acordo com o diretor técnico do Museu, Jorge Maklin Rocha, durante muito tempo, o Museu de Arte Sacra foi considerado a terceira instituição mais importante nesse segmento no Brasil, ficando atrás apenas do Museu de Arte Sacra de Salvador e do de São Paulo. “Esse estudo foi na década de 1980, e o critério utilizado foi o quantitativo e qualitativo das peças. Aqui no Museu, contamos com mais de 500 peças encontradas somente em Sergipe, dentro de igrejas ou residências, e isso não é pouca coisa. Embora, depois desse estudo, não houve um outro levantamento, até porque, de lá para cá, outras instituições surgiram. Esse título concedido nos enche de orgulho”, salientou Jorge Maklin.

Igreja Nossa Senhora da Vitória – Igreja Matriz

Edificada pelos padres jesuítas, a Igreja Matriz Nossa Senhora da Vitória é a mais antiga da cidade, datada do século XVII. De arquitetura barroca, o altar é esculpido em madeira e preserva parte do piso da década de 1940. A igreja possui duas torres que foram erguidas em datas diferentes (1845 e 1855), adornada em azulejos brancos, tendo por cima o galo português e um crucifixo na parte central.

As imensas portas chamam a atenção do visitante, assim como as janelas. Boa parte da decoração dos altares e retábulos são feitos com folha de ouro. Inclusive, do alto dessas torres, podem ser avistados os rios da cidade: Paramopama e Vaza-Barris. Na época em que a cidade foi invadida, em 1637, do alto dessas torres, foram avistadas as tropas holandesas.

Curiosidade: na parte dos altares, estão localizados túmulos de pessoas consideradas ‘mais favorecidas’ da época, pois elas acreditavam que, quanto mais próximo do altar fossem enterradas, estariam mais perto de Deus.

Igreja Conventual de Nossa Senhora do Carmo (Carmo Maior)

Do estilo barroco, a Igreja do Carmo Maior foi fundada em 1739. Situada num largo, cujo conjunto arquitetônico a tem em evidência, e em posição mais recuada ladeada pelo Convento (à direita) e o Carmo Menor (à esquerda), além de integrar anexamente o Museu dos Ex-votos e o Memorial Santa Dulce dos Pobres. Essa igreja é desprovida de ornamentação, sobressaindo os púlpitos, nichos de dois altares laterais e as cercaduras em cantaria das tribunas. Em seu frontão, a imagem de Nossa Senhora do Carmo.

Igreja do Carmo Menor

A Igreja do Carmo Menor, também conhecida como Capela da Ordem Terceira do Carmo e Igreja Senhor dos Passos, possui no interior dela seis altares laterais em estilo tardo-barroco e altar-mor em talha na madeira, sacristia com lavabo em pedra calcária, contendo escudo da Ordem Franciscana (datado de 1725), e arcaz em jacarandá e cedro da mesma época. O local é, também, conhecido por abrigar a imagem de Senhor dos Passos. Inclusive, é o local de peregrinação durante a festa desse santo. A igreja também possui no acervo outras imagens, como Santo Antônio, Nossa Senhora do Bom Sucesso, Santos Alberto da Sicília, Santa Maria Madalena de Pazzi, Nossa Senhora das Dores e Bom Jesus da Pedra Fria.

Museu dos Ex-Votos

Santuário presente na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, o Museu dos Ex-Votos possui um grande acervo formado por imagens, objetos e fotografias que retratam a relação de fé entre o devoto e o Senhor dos Passos. Em destaque, o teto com inúmeras réplicas de partes do corpo humano, a exemplo de braços, pernas, mãos e cabeças, que referenciam às graças alcançadas.

Memorial Santa Dulce

Localizado no Convento do Carmo, o Memorial Santa Dulce foi inaugurado em abril de 2009. É mantido pelos Frades Carmelitas. No acervo, há fotos e objetos que pertenceram à Irmã Dulce, inclusive, memórias escritas por ela, que representam o resgate da trajetória da religiosa durante o período de permanência dela no convento, por 1 ano e 7 meses, tendo sido consagrada freira em 1934.

Cristo

Foi a primeira escultura com a imagem do Cristo no Brasil, construída antes mesmo do monumento localizado no Rio de Janeiro, datado em 12 de outubro de 1931. Edificada no alto do São Gonçalo, a 90m de altitude, ponto mais elevado da cidade, a estrutura é em concreto armado, com 16m de altura (6m de corpo, 10m de base e 1,4 metro em cada braço). Esse monumento foi encomendado ao arquiteto italiano Belando Bellandi, pelo então presidente de Sergipe, Maurício Graccho Cardoso. A construção foi iniciada em 1924 e finalizada em 1926.

Igreja Nossa Senhora do Amparo dos Homens Pardos (atualmente passando por reforma)

Essa igreja foi construída no final do século XVIII pelos jesuítas. Na fachada, há elementos do estilo neoclássico com destaque para a arquitetura barroca. O frontão apresenta janelas em arco abatido e adornos que remetem a chamas, sendo encimado por uma cruz, e uma alvenaria de tijolos maciços. Outro destaque é a torre sineira, sendo uma das mais altas entre as igrejas sergipanas. Inclusive, foi nela onde João Nepomuceno Borges, líder político da cidade e popularmente conhecido como ‘João Bebe Água’, liderou a Irmandade de Amparo dos Homens Pardos, chegando a ser tesoureiro e zelador por muitos anos.

Santa Casa de Misericórdia e Igreja Santa Izabel

O conjunto que compreende a Santa Casa de Misericórdia e a Igreja Santa Izabel é um dos prédios históricos de São Cristóvão. Trata-se de uma construção da primeira metade do século XVII, mas concluída no início do século XVIII. A Santa Casa já abrigou um hospital de caridade, funcionou como asilo (em 1911), posteriormente, um orfanato e, de 1922 a 2017, ficou sob a responsabilidade das Irmãs Missionárias Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Atualmente, é onde funciona a Prefeitura.

Já a Igreja Santa Izabel, embora comparada às outras igrejas de São Cristóvão, pode ser considerada a mais simples. A estrutura física dela apresenta características do estilo barroco, a exemplo dos talhados em pedra calcária, e um altar-mor neoclássico contém painel de José Teófilo de Jesus da Escola Baiana, em óleo sobre tela, que retrata a visita da Virgem Maria à prima Santa Isabel.

Detalhe: atualmente, essa igreja não está aberta para visitação interna.

Museu da Polícia Militar de Sergipe

Abrigado numa construção do século XVII, o Museu da Polícia Militar de Sergipe foi criado em 1969, tendo no acervo materiais antigos que remetem à história da PM, a exemplo de uma túnica que pertenceu a um capitão, datada do século XX, e um bacamarte também do mesmo período. O local já foi escola, cadeia e Câmara de Vereadores.

Horários de visitações:

  • Igrejas: de terça a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h, e, aos finais de semana, das 9h às 13h.
  • Museu de Arte Sacra: de terça a domingo, das 9h30 às 16h.
  • Museu da Polícia: todos os dias, das 9h às 16h.